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1.

passam-se os
dias
o pêndulo e
as horas se
confudem.

movimento que
transcende o
limite de
mim.

a dor e
os anos
retornam e
somem –
contínua solidão.

saber-se elemento
de um peso
infinito de
violências.

2.

poder dizer-me
só –
leveza.

trazer as
cores de luz
e pontos de
brilho –
nirvana.

de tempos em
tempos os
dias retornam
as cores se findam
o dia se apaga

e a loucura
de horas
vagas
toma conta de
meu quarto escuro.

3.

mais uma criança
nos braços da violência
o mundo não basta.
o céu não se basta.
as dores – mãe em
parto eterno – são
pouco.

tanto que penso na
vida –
menos entendo do
que rege esses
laços de sangue.

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7

ela me deu um beijo

me brindou

e me fez lembrar
que

na vida
deus
sempre dá

o troco.

6

construíste um
muro –
intransponível
avesso e
cruel.

sabes –
essa dor que
te atravessa
transgride o
limite do afeto.

construíste um
muro –
vejo-te –
janela coroada
de véu opaco.

revoluções
deixadas em
último plano.

5

tudo que enxergo
é através de
fina camada
de névoa cinza.

parede de águas vivas.

movimento sutil e
leve – o foco
engana e passa
por trás dela.

cinza tão claro
e raro, que
nem aparenta ali
mas é presente.

brita no chão de concreto.

lá, camuflada e
mais evidente
uma faixa de dor
permeia tudo que vejo.

4

[para Vanessa Rodrigues]

nossos planos
dolorosos
crueis
irreais

somos pessoas
vazias e sós

de repente há um
breve encontro de
solidões

e o peso é
demais

partimos –
o que dói
se esvai por um
segundo

o ciclo se refaz
a dor e estar

são condição.

3

raízes e brotos.

segundo que
se passa e
adormece – cama
incandescente.

conheço esse
cheiro de vela
queimando.

conheço esse
triste desvio de
olho.

raízes e brotos.

pupila e
som me chamam
acolhem minhas
brasas acesas.

conheço esse
tremor suave de
mãos.

conheço esse
muro alto de
dor.

2

pouco ou
nada importa.

o nome –
um breve
controle do
presente –
é fugidio.

resta dessa
força sutil
nossos corpos e
olhares –
entendimento
pleno de
almas em
viagem.